Empoderar a Comunidade através da Alfabetização em Saúde

A abordagem One Health, o Sentido da Vida e a Doença Oncológica.

Maria João Cunha – Pintavida

Raquel Cardoso – Pintavida; ISPA – APPsyCI

One Health is an integrated, unifying approach that aims to sustainably balance and optimize the health of people, animals and ecosystems.” (OMS, 2024)

“(…) Entre as coisas que parecem tirar o sentido da vida humana estão não apenas o sofrimento, mas também a morte. Nunca me canso de dizer que os únicos aspetos realmente transitórios da vida são as potencialidades; porém quando são realizadas, transformam-se em realidades; são resgatadas e entregues ao passado, no qual ficam a salvo e resguardadas da transitoriedade. Isto porque no passado nada está irremediavelmente perdido, mas está tudo irrevogavelmente guardado. Sendo assim, a transitoriedade da nossa existência de forma alguma lhe tira o sentido. No entanto ela constitui a nossa responsabilidade, porque tudo depende de nos conscientizarmos das possibilidades essencialmente transitórias. O ser humano está constantemente fazendo uma opção diante da massa de potencialidades presentes; quais delas serão condenadas ao não-ser, e quais serão concretizadas? Qual opção se tornará realidade de uma vez para sempre, imortal “pegada nas areias do tempo”? A todo e qualquer momento a pessoa precisa decidir, para o bem ou para o mal, qual será o monumento de sua existência. (…)     Frankl (1988)

(…) A incidência das doenças oncológicas tem vindo a aumentar, em Portugal e no mundo, em parte como consequência do envelhecimento da população, mas também devido a múltiplos determinantes modificáveis (sociais, comportamentais, ambientais, infeciosos, etc.)… (National Cancer Hub PT; NCHP, 2024)

As doenças oncológicas representam um enorme desafio das sociedades atuais. Requerem que se abordem questões delicadas como a vida humana, os custos económicos elevados dos cuidados de saúde ou os desafios inerentes à criação de meios inovadores e mais eficientes para o diagnostico, terapêutica e cuidados das pessoas afetadas. Trata-se de uma doença que introduz exigências e adaptações nas vidas dos próprios, dos seus familiares, das organizações que criam e desenvolvem ambientes de trabalho e das comunidades. Estas exigências, ainda que de diferentes dimensões também impactam os profissionais de saúde e o papel dos decisores em políticas públicas tanto nacionais como internacionais.

O ambiente no qual vivemos, é constituído por um conjunto de sistemas que se relacionam entre si. Neste macro-eco-sistema, temos assistido ao crescimento da poluição atmosférica, de perdas ao nível da biodiversidade, do esgotamento de recursos naturais, que resultam em mudanças ambientais. A multiplicação de catástrofes naturais[1], e todas estas circunstâncias, têm vindo a interferir no modo como os seres vivos se desenvolvem e no condicionamento que isso tem ao nível da sua saúde (Bronfenbrenner & Morris, 2006). Sabemos, hoje, que os tratamentos não sustentáveis dos recursos naturais, juntamente com os fenómenos da globalização, tendem a induzir desequilíbrios ambientais que afetam a saúde de todos os seres vivos. De acordo com os especialistas, as alterações climáticas que se encontram a afetar todas as regiões do mundo[2], parecem estar associados ao aparecimento de doenças.[3] A Conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas (COP26) realizado em Novembro de 2024, é um importante evento que reúne dirigentes de todos os países do mundo com o objetivo de refletirem, debaterem e reduzirem problemas  e chegarem a acordo sobre a forma de intensificar ações a nível mundial que possam contribuir para a proteção do planeta e redução dos efeitos da crise climática, que por sua vez cada vez mais se reconhece terem implicações na saúde e bem-estar dos seres vivos. Este ano, a OMS participou neste evento de forma mais abrangente, assumindo a sua preocupação em relação ás alterações climáticas e que se refletem na abordagem de saúde defendida  (One Health).

Numa perspetiva cronológica, sabemos que os Determinantes de Saúde que se associam ao surgimento de diversas doenças[4] e que assumem diferentes níveis de expressividade na comunidade mundial. A abordagem One Health, aparece na literatura associada à procura da eficiência na prevenção e controlo da propagação de doenças transmitidas por vetores.

Originalmente mais ligada a doenças infeciosas e de “fácil contágio” como é o caso do Ebola, Zika, Gripe das Aves, e até da COVID, qualquer destas doenças pode e tem vindo a dar origem a situações pandémicas.

O quadro da doença oncológica tem vindo a tornar-se assustadoramente expressivo ao nível mundial com a multiplicação de incidências de novos diagnósticos a uma velocidade acelerada, e índices de mortalidade associada cada vez maiores, aos quais não são alheias causas ambientais, comportamentais e culturais que necessitam de prevenção e controlo. No panorama atual, a doença oncológica está ligada a um conjunto de determinantes de saúde incluindo a transmissão por vetores que abrangem o ecossistema, mas que também podem ser trabalhados na vertente da procura da eficiência, prevenção e controlo.  

Muito embora outras doenças tenham ganho destaque em função das epidemias, e situações pandémicas que geraram morbilidades e alta mortalidade, devido aos seus múltiplos impactos, a doença oncológica tem vindo a ser considerada como uma das grandes prioridades ao nível das políticas de saúde. A procura de soluções para a sua mitigação e as adaptações estratégicas desta realidade, partilhada em todo o planeta, tem sido objeto de medidas promovidas por entidades internacionais como a Organização das Nações Unidas (ONU), a União Europeia (UE) ou outras, bem como, objeto da intervenção de organizações não governamentais, que procuram “controlar” a pegada ecológica das mudanças ambientais e o seu impacto ao nível da saúde e do bem-estar dos seres vivos.

Um claro exemplo disso são os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a sua agenda traçada para 2030, que foi adotada por todos os Estados-Membros das Nações Unidas em 2015. Esta define prioridades e aspirações que procuram mobilizar esforços globais à volta de um conjunto de objetivos e metas comuns. A este propósito a ONU refere que “São 17 Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) que representam um apelo urgente à ação de todos os países – desenvolvidos e em desenvolvimento – para uma parceria global.” (https://ods.pt)

Portugal, enquanto membro das Nações Unidas, também assinou o documento dos ODS. Em 2022, foi publicada pelo SNS -Serviço Nacional de Saúde a sua integração na rede Global Green and Healthy Hospitals (Rede Global de Hospitais Verdes e Saudáveis)[5], numa demonstração do empenho das políticas estratégicas ligadas à saúde em contribuir para a sustentabilidade e a saúde ambiental da população (https://ods.pt, p. 1).

Como tal, torna-se necessário integrar no paradigma da saúde e do bem-estar, esta ideia de saúde abrangente, mais holística, colaborativa, multissetorial e transdisciplinar.  

Sendo o One Healthuma abordagem que reconhece a ligação entre pessoas, animais, plantas e o ambiente que as acolhe, com o objetivo de alcançar mais e melhores resultados na área da saúde”, facilmente compreendemos que traduz uma perspetiva da saúde que abrange múltiplas ligações entre seres vivos (microrganismos, animais, ambiente). Todos integram o ecossistema em que vivemos, em contínua interação e interdependência, procurando um estado de equilíbrio.

Este modelo, é cada vez mais reconhecido como relevante pela Organização Mundial de Saúde (OMS)[6] e pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO), através do programa One Water, One Health. Em 2010, a celebração de um acordo de colaboração entre a FAO e OMS foi decisivo para a definição de conceitos e marcou um ponto de viragem na sua concretização global (FAO – OIE – WHO, Abril, 2010). Contudo, só no dia 3 de novembro de 2016 é que foi celebrado o primeiro One Health Day (https://www.who.int/news-room/questions-and-answers/item/one-health).

Ao contextualizarmos o cancro na abordagem One Health e, tendo em conta que este não se enquadra nas doenças infectocontagiosas[7], pensamos que esta poderá ser uma abordagem legítima de o pensarmos. Esta doença, pode encontrar-se associada à pegada ambiental e encontra-se neste momento a assumir características pandémicas, que se procura a todo o custo controlar. É possível que o crescimento abrupto de número de novos casos e taxas de mortalidade associadas ao cancro em todo o mundo se possam encontrar ligadas a um vasto conjunto de mudanças que estrategicamente temos de procurar gerir da melhor forma. Por isso, acreditamos ser relevante alargarmos o nosso campo de reflexão e partilharmos algumas das nossas visões sobre esta temática.

Acreditamos ser possível capacitar as pessoas através da literacia em saúde para a luta pelo controlo dos processos associados ao cancro, recorrendo a uma abordagem holística, colaborativa e multidisciplinar que deve ser uma prioridade. Tal como a ECHoS Communication World Cancer referiu no Dia Mundial do Cancro [8],  é fundamental unirmos esforços para quebrar barreiras e diminuir o número de novos casos anualmente diagnosticados (cerca de 13 milhões)[9], bem como a mortalidade associada anualmente a esta doença no mundo (cerca de 10 milhões de mortes anuais).

Consideramos que existe uma necessidade premente de focalização no que concerne às disparidades e lacunas na prestação de cuidados, nomeadamente na prevenção, na deteção/diagnóstico precoce, no acesso a tratamentos inovadores com maior potencial de eficiência para cada caso. Pensamos ser essencial unirmos esforços para que, em todo o mundo, haja francas possibilidades de recurso a cuidados de saúde de qualidade. A falta de equidade e os enormes fossos nas oportunidades de vida com qualidade nas diversas regiões do mundo representam vulnerabilidades acrescidas para certas populações e comunidades. Assumimos, por isso, como essencial o delineamento de estratégias que se centram na diminuição do risco, no evitamento do surgimento do aumento de novos casos de cancro e na redução das taxas de mortalidade.

Tem sido preponderante o papel da União Europeia, na produção de orientações estratégicas sobre as metas a atingir para melhorar as políticas públicas relativas ao cancro, especialmente no estímulo à investigação e à inovação. A tentativa de alinhamento de políticas concertadas para a identificação e diminuição de fatores de risco, a promoção e conservação da segurança na dieta alimentar, a exposição a riscos ambientais, físicos, químicos, bem como, o investimento na produção de conhecimento cientifico e a conciliação de meios e recursos para a investigação/ação/inovação, dão-nos esperança de melhorias que garantam melhor saúde para todos, integradas em politicas de prevenção bem estruturadas em que todos somos chamados a cooperar.

Os processos de adaptação à doença e aos tratamentos, são exigentes do ponto de vista biopsicossocial e têm impacto em diversas áreas. Torna-se necessário repensar, reorganizar e alterar todo o ecossistema no qual a pessoa se move. Mas, um dos desafios com que a pessoa com cancro se confronta é o de conseguir encontrar um sentido para viver com a sua situação de saúde e não para ela. Dizendo por outras palavras, sem ignorar tudo o que envolve o processo de adoecer, é possível sermos saudáveis na doença e não vivermos a nossa vida, focalizados apenas na doença. Ou seja, ainda que os tratamentos e cuidados necessários para garantir a maior sobrevida possível, estejam frequentemente associados a circunstâncias de mal-estar e sofrimento, podemos aceitar os desafios da vida, procurando a realização pessoal e desfrutando dos momentos de bem-estar com qualidade de vida.

Sendo o cancro um desafio, a doença não é nunca vivida apenas pelo próprio. Familiares (companheiros, pais, filhos, cuidadores), amigos e as pessoas em redor da pessoa doente vêm-se também envolvidos em todo o processo e passam igualmente por todo um conjunto de emoções e exigências. Não podem, pois, ser ignorados, pois são determinantes para a criação de ecossistemas saudáveis com funções de retroalimentação tanto ao nível da comunicação, como das relações saudáveis e da qualidade de vida.

Neste sentido, os cuidados a todos os envolvidos assumem um caracter preventivo e promotor da saúde e do bem-estar. Servem especialmente, para sustentar o apoio na mobilização da energia, da confiança, e das crenças positivas e, quando a fadiga, a dor emocional, o estado de ânimo e o distress se tornam parte integrante de uma descompensação do sistema pisco- neuro imunológico. Neste âmbito e segundo o pensamento de Frankl (1988), prevenir, a doença será promover a busca do sentido da vida e desenvolver valores atitudinais, experienciais e criativos, que aportam força interior, o desenvolvimento de mecanismos de coping ativo para transformar perdas e dores, em resiliência e crescimento pessoal, tão necessários para responder de forma positiva à situação, aos tratamentos e aos efeitos secundários, facilitando assim, o crescimento pós traumático.

O Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO), a Direção Geral de Saúde (DGS) a Agência de Investigação Clínica e Inovação Biomédica (AICIB), seguem Políticas de Investigação e de Saúde da Comissão Europeia (CE). Esta ultima lançou duas grandes iniciativas estratégicas: o Plano Europeu de Combate ao Cancro (EBCP) e a Missão Cancro que, para além de assumirem um compromisso com base no desenvolvimento de estratégias politicas e inovadoras no sentido de tornar as populações dos países e da Europa, mais fortes, seguras, preparadas e resilientes, procuram controlar e inverter a subida do números de casos diagnosticados anualmente e da mortalidade a eles associada. [10]

O que podemos então fazer de modo que possamos contribuir para um mundo com mais e melhor saúde, e sobretudo ao nível da oncologia?

No nosso entender, devem ser desenvolvidos e implementados programas de literacia em saúde que sejam ajustáveis à população a que se destinam:

  1.  Para a população mais jovem (crianças e jovens);
  2. Para os contextos laborais, nomeadamente que as organizações integrem planos de segurança e saúde para todos os colaboradores;
  3. Junto da população idosa, promovendo o acesso e a adesão a sessões de promoção da saúde nas quais se tenha em consideração a importância da integração psicossocial das pessoas
  4. Com grupos específicos de risco, através de abordagens educacionais  que promovam a adesão a estilos de vida saudáveis e comportamentos promotores da qualidade de vida e do bem-estar.

Um dos primeiros desafios da abordagem One Health no âmbito da doença oncológica, terá de passar, pela capacitação das pessoas com recurso à literacia em saúde, através do desenvolvimento de atividades de sensibilização e divulgação que se vem manifestando como preponderante na adaptação das pessoas, grupos e comunidades.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRAFICAS

Agenda 2030 – Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS). https://ods.pt retirado a 16/03/2022

Bronfenbrenner, U., & Morris, P. A. (2006). The Bioecological Model of Human Development. En R. M. Lerner & W. Damon (Eds.), Handbook of child psychology: Theoretical models of human development (pp. 793–828). John Wiley & Sons, Inc.

Consequências das alterações climáticas https://climate.ec.europa.eu/climate-change/consequences-climate-change_pt consultado 16/03/2024

FAO – OIE – WHO (2010). A Tripartite Concept Note. Sharing responsibilities and coordinating global activities to address health risks at the animal-human-ecosystems interfaces.

Frank, V.E. (1988). El hombre en busca de sentido (9’ cd.). Barcelona: Herder.

Gilstrap, L. & Zierten, E. (2023). Urie Bronfenbrenner. Encyclopedia Britannica. Consultado el 15 de junio de 23.

https://www.britannica.com/topic/American-Psychological-Association

Navarro, J., & Tudge, J. (2022). Technologizing Bronfenbrenner: Neo-ecological Theory. Current Psychology. 1-17. doi: 10.1007/s12144-022-02738-3. Epub ahead of print. PMID: 35095241; PMCID: PMC8782219.

National Cancer Hub PT; NCHP, (2024).  https://aicib.pt/wpcontent/uploads/2024/01/Regulamento_Projetos-AICIB_DGS-em-cancro_vf.pdf )

OECD/European Union (2022) Health at a Glance: Europe 2022 https://health.ec.europa.eu/document/download/3f9d55be-9e36-43d9-99ad-b96ac63a5b9b_pt?filename=2022_healthatglance_rep_en_0.pdf

OMS (2024) https://www.who.int/health-topics/one-health#tab=tab_1 (retirado a 27/03/2024)

Plano Europeu de Combate ao Cancro (EBCP).  https://commission.europa.eu/strategy-and-policy/priorities-2019-2024/promoting-our-european-way-life/european-health-union/cancer-plan-europe_pt

Programa Nacional para as Doenças Oncológicas (PNDO) https://diariodarepublica.pt/dr/detalhe/despacho/13227-2023-835712442 (retirado a 16/03/2024

SNS Serviço Nacional de Saúde (2022). ACSS adere à rede Global Green and Healthy Hospitals; https://www.sns.gov.pt/noticias/2022/12/28/reducao-da-pegada-ecologica https://ods.pt/ (retirado a 10- 03-2024).

https://www.consilium.europa.eu/pt/policies/paris-agreement-climate/cop26/ (retirado a 17-11-2024)


[1]  Incêndios florestais, secas, inundações, terramotos, insolações, etc.

[2]  (https://climate.ec.europa.eu/climate-change/consequences-climate-change_pt)

[3] Muitas das quais crónicas, que têm vindo a aumentar também em consonância  com o aumento da esperança de vida.

[4] Neste contexto, destacam-se as doenças infeciosas, as orgânicas e sistémicas, as cardiovasculares e cerebrovasculares, bem como a doença mental , e também a doença oncológica.

[5] que se dedicada a reduzir a pegada ecológica e a promover uma maior sustentabilidade e saúde ambiental, a nível global

[6] que tem vindo a chamar a atenção para estes aspetos, nomeadamente para a garantia da segurança alimentar, combate a zoonoses e resistência a antibióticos

[7] Muito embora o desenvolvimento de alguns tipos de cancro possam ter por origem um vírus (como é o caso do Human papillomavirus (HPV), da Helicobacter pylori, do Hepatitis B virus, Hepatitis C virus, e do Epstein-Barr vírus.

[8] A 4 de Fevereiro de 2024

[9] Não estando contabilizadas aqui as mortes nem diagnósticos de animais que também eles desenvolvem patologias do foro oncológico.

[10] Para o efeito, foram abertas possibilidade e viabilidade dos países membros de:

– alargar e melhorar os rastreios que já vão efetuando, aa novos grupos alvo e mais tipos de cancro.

– melhorar a deteção precoce do cancro,

– criar melhores condições de igualdade e de  acesso a cuidados de saúde, diagnóstico e tratamentos,

– melhoria da qualidade de vida das pessoas doentes e sobreviventes do cancro

Por outro lado, têm vindo a ser abertos diversos programas de financiamento  para a investigação e inovação. para a deteção precoce, o desenvolvimento de terapias e cuidados, estimulando dessa forma a investigação em prole do desenvolvimento e inovação.

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Uma Breve História De Amor

A primeira vez que te vi encostado ao teu descapotável eras, sem dúvida, o homem mais bonito e charmoso que eu jamais conhecera. Pegaste-me na mão e levaste-me para o lugar do pendura usando aquela fórmula que até hoje nunca falhou: a promessa de uma experiência única.

Foi como se um furacão pegasse em mim e me fizesse rodopiar para me colocar depois abruptamente na tua frente. Olhos nos olhos. Perdida num abraço onde a magia aconteceu. Inebriada pelo teu perfume arrebatador e as doces palavras sussurradas ao ouvido, apaixonei-me loucamente e para sempre desde esse inesquecível dia.

Rosário Cordeiro

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A importância da Fisiodance para a recuperação dos doentes oncológicos

O cancro da mama é a neoplasia mais comum entre as mulheres. As comorbidades relacionadas ao tratamento cirúrgico podem ser amenizadas com a intervenção multidisciplinar, incluindo a reabilitação física preservando a funcionalidade e qualidade de vida das pacientes. A fisioterapia está incluída no plano da reabilitação no período pré e pós-operatório do cancro da mama, prevenindo algumas complicações, promovendo adequada recuperação funcional e, consequentemente, propiciando melhor qualidade de vida (Ferreira et al., 2005).

Os problemas físico-funcionais associados ao cancro incluem, rigidez muscular, dor nas articulações, disfunção cardiopulmonar, dificuldade de mobilidade, alterações nas atividades de vida diárias, e efeitos psicológicos (Bray, Ren, Masuyer & Ferlay 2008).
Existem evidências que demonstram que a atividade física, ou seja, a promoção do movimento corporal produzido pelos músculos esqueléticos, tem efeitos positivos e em alguns efeitos colaterais do cancro e de seus tratamentos (Furmaniak, Menig, & Markes, 2016). Também foi demostrado que o exercício físico, aumenta a força muscular, a mobilidade dos membros superiores, melhora a correção postural e  diminui a fadiga (Ferlay, et al 2015; Juvet, et al 2017), bem como, tem efeitos positivos nas dimensões psicológicas e sociais nas mulheres com cancro da mama (Nakash 2014; Singh, 2018).

“A Fisioterapia presta cuidados a indivíduos e populações de forma a desenvolver, manter e restituir o máximo movimento e a capacidade funcional ao longo do ciclo de vida. Preocupa-se com a identificação e maximização da qualidade de vida e potencial de movimento, tanto na promoção, prevenção, intervenção/tratamento, habilitação e reabilitação, abrangendo o bem-estar físico, psicológico, emocional e social. Constrói a sua prática continuamente a partir da evidência científica. Isto torna-se ainda mais evidente no estudo do movimento humano, que é central na prática e conhecimento do fisioterapeuta”. (World Confederation for Physical Therapy WCPT)

FisioDance® é a fisioterapia com dança. Com base em competências de Fisioterapia, Dança Movimento Terapia e Pilates, o movimento é direcionado para a manutenção e melhoria da condição física dos utentes, no sentido da funcionalidade, da qualidade de vida, e da construção de uma vida saudável. São planeados exercícios com objetivos específicos para cada individuo ou população, acompanhados com o poder da mensagem e do ritmo da música para elevar e harmonizar a consciência.

Através da dança promove ganhos em diferentes parâmetros: equilíbrio, coordenação, transferências de peso, lateralidade, condição cardiorrespiratória, prevenção de queda, bem-estar geral, bem como a atividade física regular e lúdica, e combate o isolamento.

Temcomo missão facilitar a criatividade dos doentes com cancro da mamadurante a fase de tratamentos sistémicos, na fase de estabilização de sintomas e na sobrevida.

Objetivos específicos:

  1. Proporcionar aos doentes com cancro da mama sessões de movimento/dança e outros meios de expressão artística como acompanhamento complementar terapêutico para a sua recuperação, bem-estar e (re)integração social e familiar.
  2. Aplicar a prática de movimento/dança adequada aos doentes oncológicos, promovendo o contato e escuta corporal (na sua componente física, emocional, mental e espiritual).
  3. Facilitar sessões de movimento/dança e expressão artística a grupos de doentes com cancro proporcionando aos seus elementos experiências de empatia, interajuda, suporte e socialização.
  4. Melhorar a capacidade do doente de se expressar, integrar e gerir as emoções através do desenvolvimento da inteligência emocional.

A dança movimento terapia tem sido utilizada para melhorar a amplitude articular e diminuir o edema após mastectomia (Bradt 2011). Bem como no controlo da frequência cardíaca, pressão arterial, capacidade respiratória, no controlo da fadiga e dor, na melhoria da saúde em geral e no ânimo, diminuindo os níveis de ansiedade e os sentimentos negativos, descritos em alguns estudos publicados noutros países tais como Inglaterra, Estado Unidos da América, Alemanha, etc.

Segundo Love S. in Tagliaferri, 2002, o exercício físico, a meditação, a visualização e os grupos de suporte, são tão importantes como a medicação. Atuam através da mudança do meio celular das células cancerígenas, pela terapia hormonal, imunoterapia, nutrição, e terapias de corpo-mente fortalecendo o corpo e o sistema imunitário (Love S. in Tagliaferri, 2002).

Os grupos de suporte, através da autoexpressão, arte e movimento são hoje uma evidência como terapêutica comportamental cognitiva ou mecanismos de coping.

O doente oncológico deve ter acesso a atividades complementares terapêuticas e a grupos de suportecom base no movimento/dança para a suavização dos sintomas durante o seu processo de recuperação.

 “Segundo os estudos realizados, a arte afeta o sistema nervoso autónomo, o equilíbrio hormonal e os neurotransmissores cerebrais. Produz-se uma mudança na atitude, no estado emocional e na perceção da dor, conseguindo levar uma pessoa desde um estado de stress a outro de relaxamento e criatividade. Conecta-nos a uma parte mais profunda da nossa psique, onde reside o poder curativo que todos possuímos” (Aguirre, 2007).

Através dos exercícios, e praticando meditação, yoga e dança, percebe-se a importância e o poder da ligação entre mente e corpo (Tagliaferri et tal, 2003).

É com um intuito semelhante que a FisioDance® espera atingir, com base nas guidelines da intervenção da fisioterapia para o tratamento dos doentes com cancro de mama:

  • A nível físico, diminuir a dor e o edema, aumentar a amplitude articular, fortalecer o sistema imunitário; melhorar a resistência à fadiga, melhorar a capacidade respiratória e a saúde em geral.
  • A nível emocional, melhorar a autoestima e os mecanismos de coping, combatendo a falta de ânimo. Melhorar a capacidade de expressar, integrar e gerir as emoções através do desenvolvimento da inteligência emocional.
  • A nível mental, combater o isolamento, as alterações do sono e a dificuldade de concentração, e melhorar a ligação com o seu corpo. Trazer a consciência para o momento presente, integrando a experiência do passado e os objetivos futuros sem que estes gerem uma constante melancolia ou ansiedade.
  • A nível espíritual, enfrentar as crises existenciais e encontrar o sentido da vida e da sua unicidade.

As sessões terão um período de aquecimento ou warm up, a prática da dança e o momento de regresso à calma ou cool down. A fisioterapeuta faz no final um momento de reflexão, ensino, capacitação e literacia com a participação dos elementos do grupo.

Paula Cristina Pinto Nogueira – Associação Dançar para a Vida

Doutoranda na Universidade Católica em Ciências da Cognição e Linguagem

Mestre em Fisioterapia ramo especialização na Saúde da Mulher

Pós-Graduada em Neurociência da Música

Fisioterapeuta no Centro Hospitalar Universitário de Lisboa Central

(20/11/22)

PODCAST

Na era digital, é essencial aproveitar as plataformas online para disseminar informações precisas e baseadas em evidências sobre saúde. Webinars e sessões de esclarecimento online permitem que um público mais amplo acesse recursos de alfabetização em saúde de forma conveniente e acessível.

Webinars: Educação Interativa Online

Os webinars são uma ferramenta poderosa para promover a alfabetização em saúde por meio da internet. Esses eventos online interativos permitem que especialistas de saúde compartilhem conhecimentos, respondam a dúvidas e envolvam os participantes em discussões relevantes sobre temas de saúde específicos.

Alcance Ampliado

A natureza virtual dos webinars elimina barreiras geográficas e permite que pessoas de diferentes locais participem, tornando-os uma opção acessível e conveniente. Além disso, muitos webinars são gravados e disponibilizados posteriormente, permitindo que os participantes revisitem o conteúdo conforme necessário.

Sessões de Esclarecimento Online

Além dos webinars, as sessões de esclarecimento online também desempenham um papel importante na promoção da alfabetização em saúde. Essas sessões podem ser realizadas em plataformas de mídia social, fóruns online ou sites de organizações de saúde, permitindo que os indivíduos façam perguntas e obtenham respostas confiáveis de profissionais especializados.

Parcerias com Meios de Comunicação

Colaborar com outras entidades em programas de comunicação social, como entrevistas em rádio ou TV, ajuda a desmistificar temas de saúde complexos e a promover a conscientização pública. Essas parcerias permitem que informações precisas e atualizadas sobre saúde alcancem um público mais amplo, superando barreiras de acesso à informação.

A PintaVida tem um programa de rádio “Vontade de Sorrir” que é transmitido quinzenalmente através de plataformas digitais da Rádio Movimento PT Online.

Conteúdo Acessível e Envolvente

Para maximizar o impacto dessas iniciativas, é essencial produzir conteúdo acessível e envolvente. O uso de linguagem simples, recursos visuais atraentes e formatos interativos, como vídeos e infográficos, pode tornar as informações de saúde mais fáceis de compreender e mais cativantes para o público-alvo.

Abordagem Multicanal

Uma abordagem multicanal, que combina webinars, sessões online, parcerias de mídia e outras plataformas digitais, é crucial para alcançar diferentes segmentos da população. Ao diversificar os canais de comunicação, é possível atender às preferências e necessidades individuais, ampliando o alcance da alfabetização em saúde.

Na era digital, é fundamental aproveitar as oportunidades oferecidas pelas plataformas online para promover a alfabetização em saúde de forma acessível e envolvente. Webinars, sessões de esclarecimento e parcerias com meios de comunicação permitem que informações precisas e baseadas em evidências alcancem um público mais amplo, capacitando os indivíduos a tomar decisões informadas sobre sua saúde e contribuindo para a construção de comunidades mais saudáveis e conscientes.

Apoio Psicológico para Pacientes Oncológico

Apoio Psicológico para Pessoas com doença Oncológica, Familiares, cuidadores

O diagnóstico e o tratamento do cancro são acontecimentos de vida que afetam não apenas os pacientes, mas também suas famílias e aqueles que se encontram mais próximo. Neste momento grande parte das equipas hospitalares de oncologia integram especialistas de psicologia, serviço social que complementam cuidados médicos e e realizam trabalho multidisciplinar.

O acompanhamento psicológico, os grupos de intervenção psicológica podem fazer uma grande diferença na forma como o processo de doença é vivido ao longo das suas diversas etapas.

Lidar com Emoções Intensas

Essas iniciativas ajudam os pacientes e seus entes queridos a lidar com as emoções intensas, o estresse e as mudanças na vida cotidiana resultantes do câncer. Profissionais capacitados fornecem estratégias de enfrentamento saudáveis, orientação emocional e um espaço seguro para expressar preocupações e medos. O apoio psicológico também pode melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade de vida.

Acompanhamento Psicológico

O acompanhamento psicológico individual é fundamental para auxiliar os pacientes e suas famílias a navegarem pelos desafios emocionais e psicológicos do câncer. Terapeutas treinados podem oferecer técnicas de gerenciamento do estresse, terapia cognitivo-comportamental e aconselhamento emocional, ajudando-os a desenvolver resiliência e a lidar com os altos e baixos do tratamento.

Grupos de Intervenção Psicológica

Além do acompanhamento individual, os grupos de intervenção psicológica desempenham um papel valioso. Esses grupos fornecem um ambiente de apoio, onde os participantes podem compartilhar experiências, trocar estratégias de enfrentamento e construir uma rede de suporte mútuo. Essa conexão com outras pessoas que estão passando por desafios semelhantes pode ser extremamente reconfortante e empoderador.

Apoio Domiciliário

O apoio domiciliário é outra iniciativa crucial para auxiliar pacientes oncológicos e suas famílias. Profissionais treinados podem visitar os lares, fornecendo orientação, assistência prática e suporte emocional. Esse serviço é particularmente benéfico para aqueles que enfrentam dificuldades de mobilidade ou que precisam de cuidados paliativos em casa.

Qualidade de Vida e Adesão ao Tratamento

Ao oferecer suporte psicológico abrangente, essas iniciativas não apenas ajudam os pacientes e suas famílias a lidar com os aspectos emocionais do câncer, mas também podem melhorar a adesão ao tratamento e a qualidade de vida. Quando as necessidades emocionais e psicológicas são atendidas, os pacientes se sentem mais fortalecidos e resilientes para enfrentar os desafios do tratamento e manter um estilo de vida saudável.

O apoio psicológico é uma parte essencial do cuidado integral para pacientes oncológicos e suas famílias. Ao abordar os aspectos emocionais e psicológicos dessa jornada desafiadora, essas iniciativas promovem o bem-estar holístico, a resiliência e a capacidade de enfrentamento, contribuindo para melhores resultados de saúde e qualidade de vida.

Alfabetização em Saúde nas Escolas

A importância do aumento em Literacia Oncológica

A alfabetização em saúde é um conceito amplo e fundamental para a promoção do bem-estar individual e coletivo. De acordo com o Institute of Medicine dos Estados Unidos, a alfabetização em saúde é baseada na interação com os contextos de saúde, o sistema de saúde, o sistema educativo e os fatores sociais e culturais, em casa, no trabalho e na comunidade. Essa definição abrangente destaca a natureza multifacetada da alfabetização em saúde e sua relevância em diversos aspectos da vida.

Tomada de Decisões Informadas

Um dos principais benefícios da alfabetização em saúde é capacitar as pessoas a tomar decisões informadas sobre sua própria saúde. Indivíduos com um nível adequado de alfabetização em saúde possuem o conhecimento e as habilidades necessárias para compreender informações médicas, seguir instruções de tratamento e adotar estilos de vida saudáveis. Eles estão mais preparados para interpretar rótulos de alimentos, entender os riscos e benefícios de medicamentos e procedimentos, e se comunicar efetivamente com profissionais de saúde.

Gerenciamento de Doenças Crônicas

Além disso, a alfabetização em saúde desempenha um papel crucial no gerenciamento de doenças crônicas, como diabetes, hipertensão e câncer. Pacientes com um bom nível de alfabetização em saúde são mais propensos a aderir aos regimes de tratamento, monitorar seus sintomas e realizar os cuidados necessários de forma consistente. Isso pode resultar em melhores resultados de saúde, redução de complicações e diminuição dos custos associados ao tratamento.

Equidade em Saúde

Outro aspecto importante da alfabetização em saúde é sua contribuição para a equidade em saúde. Indivíduos de diferentes origens socioeconômicas, étnicos e culturais frequentemente enfrentam desafios no acesso e compreensão de informações e serviços de saúde. Ao promover a alfabetização em saúde, essas disparidades podem ser amenizadas, garantindo que todos tenham as mesmas oportunidades de cuidar de sua saúde e tomar decisões informadas.

Impacto Comunitário

Além de seus benefícios individuais, a alfabetização em saúde também tem impactos positivos em nível comunitário. Comunidades com altos níveis de alfabetização em saúde são mais propensas a adotar comportamentos saudáveis, participar ativamente na promoção da saúde e exigir serviços de saúde de qualidade. Isso cria um ciclo virtuoso, no qual as comunidades mais conscientes e engajadas impulsionam melhorias nos sistemas de saúde, resultando em melhores resultados de saúde para todos.

Responsabilidade Coletiva

É importante ressaltar que a alfabetização em saúde não é apenas uma responsabilidade individual, mas também uma responsabilidade coletiva. Os sistemas de saúde, as instituições educacionais, os meios de comunicação e as comunidades desempenham papéis cruciais na promoção da alfabetização em saúde. Isso pode ser alcançado por meio de programas educacionais, campanhas de conscientização, materiais de comunicação acessíveis e o envolvimento ativo das comunidades no planejamento e implementação de iniciativas de saúde.

Investimento no Desenvolvimento Pessoal e Comunitário

Investir na alfabetização em saúde é investir no desenvolvimento pessoal e comunitário, pois capacita os indivíduos a assumirem a corresponsabilidade por sua própria saúde e bem-estar. Ao criar uma cultura de alfabetização em saúde, estamos construindo uma sociedade mais saudável, resiliente e empoderada para enfrentar os desafios de saúde atuais e futuros.